Relações Rússia-Brasil: será possível trazer mais turistas russos?

As relações entre a Rússia e o Brasil estão saindo fortalecidas por conta de um evento especial, organizado por ocasião da Copa do Mundo. O Espaço Venâncio Cultural, no Shopping Venâncio 2000, em Brasília, está acolhendo uma exposição sobre a Rússia e sua cultura. O evento, denominado Especial Rússia, é uma iniciativa da Embaixada da Rússia no Brasil e também da Igreja Ortodoxa Russa.

No evento estiveram presentes, representando suas instituições, o embaixador russo no Brasil, Sergey Akopov, e o vigário da Igreja Ortodoxa Russa do Patriarcado de Moscou em Brasília, padre Francisco de Assis da Cruz Feitosa. Entre ambos, destacaram o fato de a cultura russa ser ainda pouco conhecida no Brasil e as surpreendentes semelhanças culturais entre os dois países.

Relações culturais Brasil-Rússia

Em sentido contrário, já é habitual o Festival de Cinema Brasileiro em Moscou, que em 2017 cumpriu sua décima edição. No último ano, o evento aconteceu pela primeira vez em três cidades (Moscou, São Petersburgo e Kazan) e apresentou filmes como “Axé: Canto do Povo de Um Lugar”, “Bingo – O Rei das Manhãs” e “Aquarius”.

Será possível trazer mais turistas russos até o Brasil?

Muito por conta da distância geográfica, não é fácil promover as ligações entre os dois países. Os voos mais rápidos entre Moscou e o Rio podem demorar 17 horas. Mas isso não impede que o setor turístico brasileiro não possa se promover um pouco mais neste mercado. Afinal, a Rússia é um dos países mais populosos do mundo, com 144 milhões de habitantes, e uma classe média em crescimento por conta do desenvolvimento econômico. Nos últimos anos, são muitos os turistas de alto padrão voando desde seu frio país e demandando países mais quentes, como Chipre ou a Grécia, e até Espanha e Portugal.

O Brasil deve estar atento a todos os nichos de mercado e esta pode ser uma oportunidade a ter em atenção.

Vistos turísticos para estrangeiros aumentam 41%

O Brasil estabeleceu recentemente um acordo de visto eletrônico com quatro países (Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália) que veio facilitar todo o processo e já está se refletindo no aumento de visitantes. De resto, além de ser mais fácil, ficou mais barato também. O próprio jornal New York Times noticiava, no início desse ano, que o pedido de visto ia baixar dos $160 para os $40; um “desconto permanente” de 75%.

Boas notícias para o turismo nacional

A procura de hotéis no Brasil por parte de turistas vindos destes países aumentou, sendo que mais de dois terços do total (69%) vêm dos Estados Unidos. Curiosamente, a Austrália é o segundo país mais representado nessa lista, com cerca de 10.000 pedidos de visto vindos de nosso «vizinho» do Hemisfério Sul.

As longas horas de viagem de avião não parecem desmotivar os viajantes, pois do conjunto dos 4 países assistimos a um aumento incrível de 41% nos pedidos de visto em 2018, em relação ao mesmo período de 2017.

O ministro do Turismo, Vinicius Lummertz, falou ao site InfoMoney que “a exigência de visto de entrada é a principal barreira de atração de turistas” e que a facilitação do processo procura um incremento econômico, não só no curto mas também no médio e longo prazo.

Americanos em busca do Brasil

Todo o mundo sabe que os americanos têm um fascínio especial pelo Brasil, pois reconhecem a especificidade de nossa língua e cultura no contexto latino-americano. Aqui eles encontram de tudo, desde o charme único do Rio ao mistério da Floresta Amazônica.

Se é certo que muitos americanos adoram os grandes percursos de trail, também podem encontrá-los no Brasil, em lugares como a Chapada Diamantina, a Chapada dos Guimarães e tantos outros. E porque os americanos gostam de vinho, o Vale dos Vinhedos (RS) também tem motivos de grande satisfação com esta medida e estas notícias.

Grupo hoteleiro português aposta forte no Brasil

O grupo empresarial e econômico português Vila Galé está estudando o investimento em novos hotéis no Brasil. Em declarações a jornalistas e de acordo com o “Jornal Económico”, o presidente do grupo, Jorge Rebelo de Almeida, afirmou que a empresa está avaliando novas localizações em estados do Nordeste. O caso de Una, em Pernambuco, está relativamente adiantado, tendo o presidente falado que o próprio governo estadual ofereceu terrenos mas que o grupo português está agora esperando uma resposta das autoridades.

O empresário hoteleiro mencionou ainda que está avaliando “duas ou três áreas com viabilidade ambiental” no Ceará e que no Rio Grande do Norte, próximo a Pipa, existirá uma área com potencial. É de lembrar que o Grupo Vila Galé tem prevista a inauguração, a 1 de setembro de 2018, de um novo hotel com 300 quartos e 6 restaurantes em Touros/RN.

E a insegurança do país?

A vontade de investir parece ir contra as perspectivas pessimistas do Brasil atual. Até o site americano Buzzfeed retratou o protesto dos caminhoneiros. Seria de esperar que os grupos estrangeiros estivessem mais hesitantes na hora de investir.

Mas Rebelo de Almeida revela ser alguém que conhece bem o terreno que está pisando. De acordo com o presidente do Vila Galé, “a sensação de insegurança no Brasil não é invenção da mídia, mas é muito exagerada.” Acrescenta que “tem uma imagem positiva do Brasil” e que a economia não está tão abalada como por vezes se pensa (será por isso que tem menos protesto agora que em 2013?). No mais, os resorts do grupo português estão dando certo e Rebelo de Almeida aponta que ainda tem falta de oferta de hotéis no Brasil, sendo um país com 200 milhões de habitantes, especialmente em hotéis de cidade.

O empresário português acrescenta que espera que o Brasil possa colocar “um cara equilibrado, razoável e com bom senso” na Presidência da República e que o país tem tudo para sair da crise.

Hotéis paulistanos ‘vibram’ com a Copa do Mundo de futebol

Alguns hotéis de São Paulo estão usando a Copa do Mundo como tema para promoções especiais durante essa época. A notícia é divulgada pelo site da Globo, referindo o hotel Grand Mercure, em Vila Olímpia, e o Ibis Paulista.

Grand Mercure: suíte temática de 56 metros quadrados

O Grand Mercure preparou um espaço para 14 pessoas poderem ver a Copa no maior estilo. O design de interiores é da autoria de Jóia Bérgamo e inclui referências à Rússia, o país organizador (com a Catedral de S. Basílio), e um telão de 90 polegadas. O pacote permite a compra de pacotes extra com “snacks” e bebidas, e serviço de garçom.

Íbis Paulista: só para os jogos mesmo

E para quem quiser assistir os jogos mas nem mesmo quiser ficar para dormir, o Íbis Paulista vai concorrer com os melhores botequins e restaurantes. Sua suíte inclui decoração super rigorosa, com o chão em gramado sintético, cinco estrelas lembrando as cinco vitórias na Copa e uma sexta esperando ser preenchida, etc. Além do lounge e restaurante abertos a todo o mundo, claro. O hotel aponta a localização na Avenida Paulista como ponto forte para esse produto.

A universalidade da Copa

São Paulo é uma metrópole global e o elevado número de estrangeiros, residentes ou visitantes é um mercado potencial em época de Copa. Afinal, esse é o esporte mais universal e um dos eventos mais acompanhados em todo o mundo, rivalizando com os Jogos Olímpicos. Só mesmo a Igreja Universal do Reino de Deus é que não acompanha a Copa, sequer menciona esse assunto em seu site; falou faz 4 anos para explicar que, se a Copa é do mundo, o crente deve ser de Deus. No mais, as estimativas apontam que R$3,2 bilhões de pessoas, cerca de metade da população mundial, acompanhou de alguma forma a Copa do Mundo de 2014.

Os hotéis paulistanos estão, assim, demonstrando estar bem atentos às mais inusitadas oportunidades de negócio.